Igreja MatrizFerreiros é contemporânea dos primórdios das ações de Reconquista na Península ibérica. A Ermida de S. Pedro acabaria inclusivamente por se impor como Matriz, com a necrópole anexada ainda hoje a dar testemunho da sua antiguidade.

Foram encontrados, num troço do Adro, restos de sepulturas escavadas na rocha, uma delas em pedra isolada e que servia de pia para queimar cal. Esta sepultura foi posteriormente co1ocada junto à igreja, aquando as obras de restauro da casa paroquial e do espaço envolvente à Matriz. Uma Lousa Tumular, que viria igualmente a ser inserida no muro à entrada da residência Paroquial, apresenta a gravura de uma cruz de hastes alargadas dentro de um círculo, insígnia esta usada tanto na época visigótica como medieval.

A Abadia de Ferreiros dependia dos Senhores da terra, os Pintos da Torres de Chã”, seus padroeiros, no tocante à apresentação do pároco, direito este que, em 1694, transitaria para a Coroa de Bragança. A Abadia foi sempre, a partir de então, de apresentação Real.

A vila sede do concelho integrava 12 povoações e incluía, no seu termo, as freguesias de Ermida do Douro, Oliveira, Ramires, Gralheira, Alhões e Bustelo da Lage. D. Miguel de Portugal, ao visitar pessoalmente a Paróquia a 9 de março de 1 839, não deixou disposições importantes no tocante aos direitos e deveres dos habitantes. Proibiria, no entanto, as mulheres de se misturarem, na igreja, com os homens.

O Templo medieval, dedicado a S. Pedro ‘Ad Vincula”, passou por profundas reparações nos meados do séc. XVII, conforme ordens emanadas pelos Visitadores. Das mesmas nos são dadas notícias em 1641, ao se aludir às obras de reparação do madeiramento; ainda em 1645, o Juiz e Procurador da igreja mandou arrematar o entablamento.

De 1655 é a pintura do retábulo de JESUS, que se pode avistar lateralmente, quando se entra. Ainda no mesmo âmbito de obras efetuadas na igreja, pode-se apontar a reparação da galeria adoçada ao portal da igreja (o galilé ou, como hoje é vulgarmente conhecido, o coro), que ficou concluída em 1679, altura em que o Visitador deu ordens ao Abade para reformar o retábulo do altar-mor e, oito anos mais tarde, para o acrescentar no sentido das ilhargas, de modo a encher todo o espaço mural.

O Pároco da época. em 1695, foi o autor da construção dos fundamentos, da capela-mor da matriz, tribuna e sacrário, mais tendo retomado e forrado a sacristia, abrindo um nicho na parede para uma imagem do ECCE HOMO, tendo também instalado um lavatório e gavetas para os paramentos. Este pároco viria a falecer a 13 de fevereiro de 1719, o que não impediria que se continuasse a construção dos muros da igreja, a armação e o forro.

Por último, a igreja iria sofrer novas obras nos finais do séc. XIX.

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